>> POESIA

Livro Letra - 1997 SP
capa de Gustavo Rosa
fotos Adail Moreira
Massao Ohno Editor

 

Venho do mar

Venho do mar
e dos ares
de todos os bares
colares e orelhas
Estou
na música do mundo
no raro
raso
fundo

Todo ser que se permite

Todo ser que se permite
diferente
tem um tom consciente
que parece objetivo
Todo ser que de tão complexo
Acaba sendo conciso
Acaba levando consigo
As sensações dos vários em que consiste

Todo ser quase pleno

Todo ser quase pleno
é consciente do que lhe foi ameno
ou convulsivo
Tudo o que fui a menos
eu somatizo
a subtração
é uma adição subjetiva

Se persisto

Se persisto
cresço
teço cordas
que me elevam
peço hordas
de pensamentos
seguros
pulo normas
atravesso muros
disparo flashes
de consciência
trechos de sabedoria
invadem hormônios
homônimos são
todos que sentem
calmas luzes que aquecem
fracas vozes que se dizem e despem

Sou postigo

Sou postigo
castiçal castigo
É postiço
esse tempo que voa
à toa
Uma proa
que persigo,
consigo

Tecer nós

Tecer nós
Amarrando laços
Entre os muitos
Que somos
Tecer-nos